Se concretizada projeção, superávit da balança comercial de 2026 será o segundo maior da série

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Porto brasileiro registra intenso fluxo de contêineres (Foto: Instagram)

Na última revisão, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) reduziu de US$ 90 bilhões para US$ 84,4 bilhões a estimativa de superávit da balança comercial para 2026. Caso esse resultado se confirme, será o segundo maior da série histórica, ficando atrás apenas dos US$ 98,9 bilhões registrados em 2023 e superando em 24,0% os US$ 68,1 bilhões apurados em 2025.

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O superávit projetado decorre da previsão de US$ 382,5 bilhões em exportações, o que representaria alta de 9,8% sobre 2025, e de US$ 298,1 bilhões em importações, 6,4% maior que no ano anterior. Herlon Brandão, diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do MDIC, observa que esses valores estão muito próximos do desempenho verificado entre janeiro e setembro de 2026. “Estamos prevendo três meses à frente. Então, é natural que esses números se aproximem e tenhamos já um cenário bastante consolidado para o que vai ser o fechamento do ano”, afirmou.

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No início de 2026, o MDIC estimava que o superávit da balança ficaria entre US$ 70 bilhões e US$ 90 bilhões. A respeito do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE), Brandão afirma que os impactos devem se intensificar ao longo dos meses, mas ainda não há dados suficientes para mensurar com precisão, devido ao curto período de vigência do tratado. “Temos alguns indicadores que mostram que produtos com redução tarifária registraram maior volume exportado para a UE”, comentou. Ele ressaltou ainda que a consolidação de dados setoriais depende de colaboração técnica com autoridades europeias para avaliar efeitos em segmentos como agronegócio e bens industriais. O MDIC segue monitorando a evolução das tarifas e eventuais ajustes de política comercial em função desse cenário.

Em setembro, as exportações brasileiras para a União Europeia chegaram a US$ 6,95 bilhões, um crescimento de 60,1% ante os US$ 4,34 bilhões do mesmo mês em 2025, enquanto as importações caíram 8,7%, para US$ 4,06 bilhões. Esse movimento gerou superávit de US$ 2,89 bilhões na balança com o bloco. No acumulado de janeiro a setembro, as vendas ao bloco somaram US$ 44,15 bilhões, alta de 20%, e as compras totalizaram US$ 38,05 bilhões, avanço de 0,8%, resultando num saldo positivo de US$ 6,10 bilhões.

O diretor do Departamento de Estatísticas também destacou uma aceleração nos preços de produtos exportados e importados. Em setembro, o Brasil embarcou US$ 34,4 bilhões em mercadorias, 12,9% acima do mesmo mês de 2025, impulsionado por aumento de volume e pela alta de 9,9% nos preços. No acumulado de 2026, as vendas permanecem acima dos níveis do ano anterior em todos os meses, exceto janeiro, segundo observou Brandão ao comentar o fenômeno de elevação nos preços dos bens comercializados.

Quanto às importações, os preços cresceram 9,5%, mas o volume retraiu 2,7%, provocando redução de 2,4% no valor total adquirido. Essas variações em preços e quantidades têm influenciado diretamente o desempenho da balança comercial brasileira nos últimos meses, sinalizando desafios e oportunidades para a gestão do comércio exterior.