
João Carlos Mansur em audiência na PF (Foto: Instagram)
A Polícia Federal indiciou o fundador da gestora Reag, João Carlos Mansur, e mais 12 pessoas por suposta participação em gestão fraudulenta de instituição financeira, lavagem de dinheiro e organização criminosa. As investigações apontam que o esquema movimentou recursos de postos de combustíveis ligados ao empresário Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, e à facção criminosa PCC, por meio de operações que teriam ocultado a origem ilícita do dinheiro.
++ Elize Matsunaga: Carro do crime agora tem novo dono e acumula várias dívidas
Além de Mansur, foram indiciados gestores de outras empresas do mercado financeiro, como a Trustee Distribuidora e a BK Instituição de Pagamento. Segundo a PF, essas empresas operavam contas “bolsão” em que não constava a identificação dos verdadeiros titulares, permitindo a entrada de recursos indevidos sem o devido controle e registro. A defesa de Mansur ainda não se manifestou oficialmente sobre as acusações.
++ Fiji enfrenta surto acelerado de HIV impulsionado pelo uso de metanfetamina
No relatório final apresentado na semana passada, a PF detalha que valores de origem espúria — fruto de sonegação fiscal e outros ilícitos praticados pela Aster Petróleo Ltda. e pela Copape Produtos de Petróleo Ltda. — foram inseridos no Sistema Financeiro Nacional por meio de uma instituição de pagamento que abria contas sem identificação de seus beneficiários. Em seguida, esse dinheiro era direcionado a uma estrutura de fundos de investimento em cascata, administrados por três distribuidoras de títulos e valores mobiliários, complicando o rastreamento das operações.
Recentemente, Mansur firmou um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR), no qual entregou documentos que comprovam a constituição e o funcionamento dos fundos envolvidos, além de relatórios sobre outras transações financeiras suspeitas. A PF também apura o possível envolvimento do executivo em operações para Daniel Vorcaro, do Banco Master, ampliando o alcance das investigações a outros nichos do sistema financeiro.
O acordo de colaboração foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) no fim do mês passado e distribuído ao ministro André Mendonça. No entanto, a homologação ainda não foi concluída, o que impede o uso imediato das informações como meio de prova em eventual ação penal. Enquanto isso, Ministério Público e PF permanecem sem acesso pleno às declarações para instrução de processos no Supremo, em meio à expectativa pela decisão da Corte.
Há ainda dúvidas no STF sobre os processos vinculados à Operação Compliance Zero, que estavam sob a relatoria de Mendonça antes de sua saída interina da presidência da Corte. A definição sobre o prosseguimento dessas apurações e a eventual redistribuição do caso depende de discussões internas sobre competência, rito processual e eventuais pedidos de impedimento de ministros, mantendo o tema em aberto no tribunal.






