
Baleias-jubarte fotografadas por drone nas águas de Ilhabela (Foto: Instagram)
Neste domingo (27), mais de 20 baleias-jubartes foram observadas no mar de Ilhabela, no litoral norte de São Paulo, surpreendendo especialistas. O marinheiro e guia turístico Leonardo Radi registrou o intenso movimento desses cetáceos, que retornam à Antártica após a temporada reprodutiva. A concentração incomum em um único dia chamou atenção de estudiosos da vida marinha.
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Em um período de cerca de oito horas, Radi capturou imagens de pelo menos 20 exemplares, incluindo filhotes e um grupo competitivo, formado por vários machos disputando a atenção de uma fêmea. Segundo ele, a contagem chegou a 27 animais, o que indica que algumas baleias podem ter sido vistas mais de uma vez. “Todas as que identificamos são baleias-jubartes”, afirmou.
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O avistamento ocorreu no lado sul da ilha, em um ponto mais afastado da costa, durante um passeio com turistas. Dono de uma empresa de turismo náutico e dedicando-se ao monitoramento de baleias há quatro anos, Radi explica que, normalmente, os passeios são oferecidos entre maio e agosto. Mas, neste ano, ele decidiu explorar áreas além do habitual para entender melhor quando e como as jubartes iniciam a viagem de retorno.
Durante o inverno antártico, quando as águas frias escasseiam os alimentos, essas baleias migram ao longo da costa brasileira em busca de mares mais quentes no Nordeste. Na passagem pelo litoral paulista, de maio a outubro, elas atraem tanto observadores amadores quanto pesquisadores, movimentando economicamente cidades como Ilhabela e São Sebastião.
A bióloga Rafaela Souza, coordenadora de pesquisa do Instituto Baleia Jubarte, afirma que a passagem em São Paulo acontece de maio até o fim de agosto, período em que as jubartes sobem para a região de Abrolhos, na Bahia. Ela ressalta que a presença de grupos maiores, em comportamento de competição, é natural em áreas de reprodução. “Muito provavelmente, essas jubartes estavam iniciando o retorno à área de alimentação na Antártica, passando um pouco mais distante da costa.”
Pesquisadores ainda tentam compreender com detalhes esses deslocamentos. No ano passado, algumas jubartes permaneceram em águas brasileiras até dezembro e janeiro, embora em número reduzido. “Precisamos de dados de longo prazo para explicar esses fenômenos”, destaca Rafaela. Enquanto isso, o projeto Baleia à Vista, coordenado por Júlio Cardoso, analisa os registros enviados por colaboradores como Radi para mapear os trajetos desses animais.
Segundo o Baleia à Vista, foram realizados 631 avistamentos de baleias-jubarte até este domingo, ante 561 em 2024 e recorde de 786 em 2023, desde o início das contagens em 2016. “Encontrar tantas jubartes nesta época do ano é sensacional”, avalia Cardoso. Ele lembra ainda que Radi registrou uma baleia vista no litoral do Equador no ano anterior, traçando uma rota de pelo menos 12 mil quilômetros entre Manabí e Ilhabela.






