O Google, dono do YouTube, virou alvo de uma ação civil pública que pede R$ 100 milhões em indenização por danos morais coletivos. A ação foi apresentada pelo Instituto de Fiscalização e Controle (IFC) e pelo Instituto Tecnologia e Equidade (IT&E), que acusam a plataforma de lucrar com canais que utilizam avatares criados por inteligência artificial para se passar por médicos. Segundo os autores, foram identificados pelo menos 29 canais em português, que juntos acumulam cerca de 70 milhões de visualizações.
++Noivos deixam festa de casamento de helicóptero, mas passeio termina em tragédia
Os personagens aparecem de jaleco e divulgam tratamentos sem comprovação científica. Entre os exemplos citados estão conteúdos que prometem regenerar o coração e as artérias ou controlar a glicose. Um dos canais chega a utilizar a imagem de uma médica conhecida sem deixar claro que o personagem apresentado é criado por IA. A ação afirma ainda que os conteúdos utilizam mensagens de medo e teriam como principal alvo o público idoso, incentivando pessoas a abandonar tratamentos convencionais em favor de terapias sem eficácia comprovada.
As entidades também alegam que o YouTube teria sido alertado anteriormente sobre o problema. O Ministério da Saúde e a Advocacia-Geral da União (AGU) já haviam solicitado a retirada de 97 perfis considerados enganosos, mas, segundo a petição, alguns canais continuaram ativos, foram renomeados ou duplicados. Entre as acusações estão a suposta omissão na aplicação das próprias regras da plataforma, a monetização de conteúdos considerados ilícitos e a possibilidade de publicidade enganosa.
++Homem tenta salvar grávida de incêndio e corre risco de perder as duas pernas
Além da indenização, os autores pedem que a Justiça determine a remoção dos vídeos, suspenda pagamentos aos canais e interrompa recomendações automáticas desse tipo de conteúdo. A ação também solicita alertas sobre o uso de IA e a verificação obrigatória dos registros profissionais dos supostos médicos junto ao Conselho Federal de Medicina (CFM). Até a publicação da matéria, o YouTube ainda não havia se manifestado sobre o processo.














