
Selic cai a 13,75%, mas Copom mantém alerta para riscos inflacionários (Foto: Instagram)
Em seu comunicado sobre a reunião de setembro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reafirmou que os riscos para a inflação seguem acima do usual e apresentam assimetria a favor de uma alta. No documento, divulgado na última terça-feira, foram identificados quatro fatores que podem pressionar o índice para cima e três que podem ter efeito oposto, mantendo o balanço ainda inclinado para cima.
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Entre os riscos altistas, o Copom destacou o desafio de manter as expectativas de inflação ancoradas por um período prolongado, especialmente se choques de oferta ligados ao petróleo e seus derivados se tornarem mais frequentes. O comitê também apontou a possibilidade de efeitos climáticos adversos sobre a produtividade agrícola e os custos de energia, potencialmente elevando custos de produção. Outro ponto ressaltado foi a resiliência observada na inflação de serviços, alimentada por um hiato do produto mais positivo do que o estimado inicialmente, e o risco de políticas econômicas, tanto internas quanto externas, que resultem em uma taxa de câmbio persistentemente depreciada. Por fim, o Copom mencionou estímulos à demanda agregada, em especial no consumo, que possam levar o crescimento da atividade ao patamar acima do potencial, diminuindo a eficácia dos canais de transmissão da política monetária.
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No lado dos riscos de baixa, foram apontadas três possibilidades que poderiam conter pressões inflacionárias: uma contração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, gerando menor demanda por bens e serviços; um desaquecimento global mais intenso, motivado por choques no comércio e no preço do petróleo, além de um ambiente de maior incerteza no mercado internacional; e uma eventual redução nos preços das commodities, que teria efeito desinflacionário direto no índice de preços ao consumidor.
A análise do Copom reforça o caráter cauteloso da decisão de política monetária, observando que, apesar da assimetria de riscos, o cenário ainda requer monitoramento rigoroso de variáveis externas e internas que possam acelerar a alta de preços no país. A manutenção dessa postura visa evitar surpresas indesejadas e preservar as metas de inflação estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional.
Na quarta-feira (16), o comitê surpreendeu ao anunciar um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, reduzindo-a de 14,00% para 13,75% ao ano. A decisão, que marca o segundo recuo consecutivo nos juros básicos, reflete tanto a moderação recente do ritmo de alta dos preços quanto o objetivo de incentivar a atividade econômica, ainda que dentro de um arcabouço que privilegia a estabilidade de preços.






