STF: Grupo de Moraes forma frente para blindar ministro em investigação sobre Vorcaro

Posted by


Mensagens expõem atrito entre ministros do STF na defesa de Moraes (Foto: Instagram)

Ministros do Supremo Tribunal Federal contrários à abertura de apurações sobre Alexandre de Moraes criaram uma articulação para protegê-lo das investigações que envolvem sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A ala é capitaneada por Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin, que têm atuado em conjunto para evitar que os indícios levantados pela Polícia Federal sejam analisados pelo plenário.

++ Elize Matsunaga: Carro do crime agora tem novo dono e acumula várias dívidas

Para barrar a investigação, os aliados de Moraes têm recorrido a ataques públicos, costurado acordos nos bastidores e adotado manobras processuais que atrasam o andamento do caso. Segundo o relatório da Polícia Federal, obtido a pedido do relator André Mendonça, Há diversas trocas de mensagens entre o ministro e Vorcaro que podem comprometer a imparcialidade de Moraes.

++ Fiji enfrenta surto acelerado de HIV impulsionado pelo uso de metanfetamina

No material da PF, uma das mensagens registra o banqueiro questionando se deveria deixar o País na véspera de sua prisão. Vorcaro chega a pedir a Moraes que interceda junto ao diretor-geral da Polícia Federal e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. O mesmo relatório revela que o ministro alterou cláusulas de um contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua mulher, Viviane Barci de Moraes. O conteúdo foi divulgado com exclusividade pelo jornal Estadão em 1º de junho.

Nos dias que antecederam a sessão do STF de 15 de setembro, Gilmar Mendes disparou mensagens para intimidar colegas. Em 8 de setembro, ele criticou Luiz Fux por votar na Segunda Turma a favor da liminar de André Mendonça, que afastou o delegado Andrei Rodrigues da direção da PF. Fux encerrou a conversa de forma ríspida: “Bom dia. Cuide de não encher meu saco!”.

A ofensiva de Mendes continuou com Kassio Nunes Marques. Gilmar acusou Fux e Nunes Marques de serem “servis e submissos” ao ex-procurador-geral e exigiu que ambos se afastassem de processos ligados ao Banco Master e que Marques deixasse a presidência do TSE. “Assumam que estão ferrados e saiam dos processos. Abram as contas. Não julguem porra”, escreveu. Nunes Marques reagiu pedindo respeito, declarou estar disposto a prestar contas e bloqueou Mendes no aplicativo de mensagens.

Documentos da PF também apontam que Vorcaro pagou R$ 500 mil ao advogado Kevin Marques, filho de Kassio Nunes Marques, e solicitou ajuda ao filho de Fux em outras ações. Além disso, o banqueiro bancou ingressos VIP para a família de Fux no desfile das escolas de samba no Rio de Janeiro, em fevereiro de 2025. Diante das evidências, Kassio Nunes Marques se declarou impedido de participar do julgamento, citando possíveis repercussões eleitorais e o fato de presidir o TSE como conflito de interesses. Logo no início da sessão, Flávio Dino suscitou questão de ordem para juntar as investigações contra Moraes e André Mendonça em um único processo deliberativo, consumindo o debate e adiando a análise dos indícios. Durante o encontro, Gilmar Mendes chamou André Mendonça de “boneco eleitoral” e o acusou de covardia, enquanto Dino buscava minar a credibilidade de Luiz Fux ao mencionar supostas mensagens com Vorcaro. Fux negou o conteúdo das acusações: “Nem eu conheço esse cidadão. Basear-se nesses inquéritos é inaceitável”, retrucou. Dino, por sua vez, afirmou que as questões serão esclarecidas oportunamente.