Seu cérebro pode estar sabotando a academia — e talvez a culpa não seja sua

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A ideia de simplesmente “levantar e fazer” pode não explicar por que tanta gente prefere o sofá à academia. Segundo pesquisadores, o ser humano não evoluiu para praticar exercícios por escolha, mas para se movimentar quando isso era necessário para sobreviver, como caçar, coletar alimentos e explorar o ambiente. Com a tecnologia reduzindo a necessidade de esforço físico, manter uma rotina de exercícios passou a exigir uma decisão consciente contra uma tendência biológica de economizar energia.

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Os números ajudam a mostrar o tamanho do problema: cerca de 1 em cada 3 adultos e 8 em cada 10 adolescentes no mundo não atingem os níveis mínimos de atividade física recomendados pela Organização Mundial da Saúde. A dificuldade também não parece depender apenas de força de vontade. Estudos com gêmeos indicam que aproximadamente 60% da capacidade de autocontrole pode ter influência genética. O cérebro tende a buscar recompensas imediatas e comportamentos que custem menos energia, o que ajuda a explicar por que ficar parado pode parecer tão mais atraente.

A dopamina também entra nessa equação, já que diferenças no sistema responsável por esse neurotransmissor podem influenciar a motivação e a tolerância ao esforço. Outros fatores, como a microbiota intestinal, experiências anteriores e o ambiente social, também podem interferir na relação de cada pessoa com a atividade física. Até irmãos gêmeos com o mesmo DNA podem desenvolver respostas diferentes ao exercício depois de experiências negativas ou inseguranças relacionadas ao próprio corpo.

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Por isso, os pesquisadores defendem que combater o sedentarismo não deveria depender apenas de cobrar esforço individual. O ambiente também pesa: bairros pouco acessíveis, falta de espaços para atividades e condições socioeconômicas podem dificultar a prática de exercícios. Algumas iniciativas tentam justamente criar recompensas para estimular o movimento — como uma ação na Romênia que permite trocar 20 agachamentos por uma passagem de ônibus. A conclusão é direta: em vez de apenas mandar as pessoas “fazerem”, pode ser mais eficiente criar ambientes que tornem o movimento mais fácil e atraente.