
Bandeira alemã tremula sobre o Reichstag em Berlim. (Foto: Instagram)
Pesquisas de boca de urna divulgadas neste domingo (06) indicam que a Alternativa para a Alemanha (AfD) conquistou entre 40% e 45% dos votos nas eleições regionais, abrindo caminho para a possível formação do primeiro governo estadual de extrema direita na Alemanha desde a Segunda Guerra Mundial.
++ Elize Matsunaga: Carro do crime agora tem novo dono e acumula várias dívidas
Ainda não está definido se o líder da AfD, Ulrich Siegmund, jovem de 35 anos, terá assentos suficientes na Saxônia-Anhalt para alcançar a maioria parlamentar. Mesmo sem atingir 50% dos votos, o partido pode negociar apoios pontuais ou integrar coalizões para garantir a governabilidade.
++ Fiji enfrenta surto acelerado de HIV impulsionado pelo uso de metanfetamina
Siegmund defende a implementação do ensino domiciliar e propõe vetar o ingresso de crianças refugiadas e com deficiência nas escolas públicas tradicionais. Durante ato em Magdeburg, afirmou: “Nós vamos trazer nosso país de volta começando pela Saxônia-Anhalt. Isso vai balançar toda a Alemanha. As pessoas desse país, votando em nós, depositam a sua confiança e não vamos decepcioná-los.”
O programa de governo inclui ainda a deportação de imigrantes sem documentação regular e a redução de incentivos a fontes de energia limpa. Alice Weidel, co-líder do partido, elogiou o desempenho de Siegmund e ressaltou que a disputa em Saxônia-Anhalt serve de vitrine para o restante do país.
A eleição registrou participação recorde, estimada entre 75% e 80%. Siegmund classificou o índice como histórico: “Fizemos história, precisamos deixar isso bem claro”. Ele também declarou estar aberto a coligações desde que respeitem o programa da AfD: “Não abriremos mão de nossos princípios fundamentais apenas para permanecer no poder”.
Para Rolt Frankenberger, professor do Instituto de Pesquisa sobre Extremismo de Direita da Universidade de Tübingen, uma vitória consolidada da AfD criaria um marco político: “Seria uma vitória esmagadora e isso realmente teria um impacto enorme no cenário político da Alemanha. Talvez eles não tenham sucesso quando estiverem no governo, mas isso vai servir como um farol.”
O União Democrata-Cristã (CDU), partido que governa atualmente o estado, já admite derrota e deve ficar abaixo de 20% dos votos, segundo o Die Zeit. O governador Sven Schulze comentou: “Isso é democracia, e as pessoas foram votar hoje. Nunca havíamos visto uma taxa dessas em uma eleição regional. Os cidadãos enviaram um sinal.”
A formação do governo estadual segue incerta. Apesar de liderar na contagem, a AfD precisará costurar acordos parlamentares para eleger o Ministerpräsident – processo que pode envolver alianças improváveis, como um entendimento entre CDU e Die Linke ou a quebra do cordão sanitário por legendas menores.






