O crescimento do uso de chatbots de inteligência artificial como espaço de desabafo tem despertado preocupação entre especialistas. O debate ganhou força após um caso ocorrido nos Estados Unidos, em que a família de um adolescente de 14 anos atribuiu o agravamento do sofrimento emocional do jovem ao vínculo criado com um chatbot da Character.AI. O caso terminou na Justiça e, posteriormente, Google e Character.AI chegaram a um acordo judicial, cujos detalhes não foram divulgados. Enquanto isso, no Brasil, milhões de pessoas já recorrem à IA em busca de acolhimento, impulsionadas pela dificuldade de acesso a atendimento psicológico e pelo medo de julgamentos.
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Pesquisas mostram que a prática está cada vez mais comum. Levantamento do Google aponta que 71% dos brasileiros utilizam chatbots de inteligência artificial, enquanto um estudo da Fundação Itaú revelou que 45% dos usuários já recorreram a essas ferramentas para tratar de questões relacionadas à saúde mental. Nos Estados Unidos, outro levantamento indicou que 16% dos adultos buscaram informações ou conselhos sobre saúde emocional por meio da IA no último ano, índice que sobe para 28% entre jovens de 18 a 29 anos.
Especialistas destacam que os chatbots podem ser úteis para organizar pensamentos, registrar sentimentos e esclarecer dúvidas, mas alertam que não substituem psicólogos ou psiquiatras. Diferentemente de um profissional, a inteligência artificial não realiza avaliação clínica, não interpreta sinais sutis, não possui responsabilidade ética nem consegue compreender a história de vida de cada pessoa. O maior risco surge quando o usuário passa a enxergar a ferramenta como amiga, conselheira ou principal fonte de apoio emocional, deixando de buscar relações humanas ou tratamento especializado.
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A preocupação é ainda maior entre adolescentes, que podem desenvolver vínculos intensos com personagens virtuais e interpretar essas interações como relacionamentos reais. Especialistas recomendam atenção a sinais como isolamento, irritabilidade, mudanças no sono, queda no rendimento escolar e afastamento da convivência social. Apesar do potencial da tecnologia como ferramenta de apoio, o consenso é que ela deve complementar — e jamais substituir — o acompanhamento profissional quando o sofrimento emocional exige cuidados especializados.


