
Lula ao lado de Jorge Messias durante evento no Planalto (Foto: Instagram)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu reenviar ao Senado a indicação de Jorge Messias para a vaga no Supremo Tribunal Federal, mesmo depois da rejeição inédita sofrida pelo chefe da Advocacia-Geral da União. Embora tenha considerado nomes alternativos, o Planalto optou por manter a aposta no atual AGU como sinal de enfrentamento ao derrota sofrida no plenário.
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Aliados de Lula revelaram ao jornal O Globo que o episódio elevou a tensão entre o Palácio do Planalto e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Para o governo, a queda de Messias deixou de ser apenas um revés pessoal e passou a ser vista como afronta à prerrogativa constitucional do chefe do Executivo de escolher ministros para o STF.
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Nos bastidores do Planalto, corre a hipótese de que Alcolumbre tenha articulado nos corredores para inviabilizar a nomeação, tese que o senador nega. O clima de estranhamento ficou evidente na cerimônia de posse do novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, em que o diálogo entre Lula e Alcolumbre foi praticamente nulo.
Aliados do presidente também interpretaram como gesto de distanciamento o fato de Alcolumbre não ter aplaudido Jorge Messias durante homenagem promovida pelo presidente da OAB, Beto Simonetti, o que reforçou a percepção de uma disputa política nos bastidores.
No Partido dos Trabalhadores, cresce a pressão para transformar o episódio em enfrentamento aberto contra setores do Centrão e da oposição. O deputado Lindbergh Farias defendeu a recondução de Messias e atribuiu a derrota a uma articulação parlamentar coordenada para minar a autoridade de Lula.
Internamente, auxiliares avaliam que abrir mão do nome agora reforçaria a ideia de que o Senado impôs uma derrota ao chefe do Executivo, comprometendo a imagem do governo em votações futuras.
Lula chegou a estudar a indicação de uma mulher para compor o STF, atendendo à cobrança de movimentos aliados, mas a ideia foi descartada para evitar que a eventual escolhida fosse vista como “plano B” e sofresse desgaste político prematuro.
Após a rejeição, Jorge Messias chegou a considerar deixar o governo, mas o presidente pediu que ele aguardasse o fim das férias, iniciadas no dia 13, com retorno previsto para o dia 25. Mesmo abalada, a equipe do AGU mantém a expectativa de nova indicação.
A nova tentativa de aprovação será também um termômetro da tensão entre Planalto e Senado e poderá interferir na tramitação de pautas prioritárias, como projetos de segurança pública, emendas parlamentares e medidas econômicas. Fontes do governo acreditam ainda que o recente aumento das investigações envolvendo Flávio Bolsonaro e o Banco Master contribuiu para reduzir momentaneamente a pressão sobre Lula.


