
Presidente Lula em evento onde gerou polêmica com críticas a advogados criminalistas (Foto: Instagram)
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) exigiu que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva faça uma retratação pública após suas declarações polêmicas sobre advogados criminalistas em um evento realizado na última sexta-feira (30). Segundo a entidade, as colocações de Lula sugerem que a defesa de acusados poderia travar o desenvolvimento do país, o que compromete a imagem e a relevância desses profissionais no sistema jurídico brasileiro.
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A Ordem justificou o pedido alegando que tais afirmações desmerecem o papel dos advogados penalistas, cuja atuação é considerada fundamental para garantir o direito à ampla defesa e ao contraditório. Em nota oficial, a OAB ressaltou que a defesa técnica — mesmo nos casos de crimes graves — é um pilar do Estado Democrático de Direito e não deve ser confundida com a apologia ao crime.
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Durante o mesmo evento, Lula havia destacado a importância dos profissionais do Direito no combate à corrupção e no fortalecimento das instituições democráticas. No entanto, sua menção negativa aos advogados criminalistas imediatamente motivou o repúdio da OAB, que classificou as declarações de generalizadoras e desrespeitosas, uma vez que estigmatizam toda uma categoria profissional.
Em resposta, a Ordem convidou o presidente a refletir sobre o valor da advocacia criminal na proteção de direitos e garantias individuais. A OAB lembrou que o acesso à defesa técnica qualificada é um direito constitucional assegurado, essencial para que todo cidadão tenha direito a um julgamento justo, independentemente das acusações que enfrente.
As falas de Lula geraram desconforto entre advogados de todo o país e reacenderam debates sobre a percepção pública da criminalística. A OAB destacou que a insistência em retratação demonstra a urgência de preservar o respeito à profissão e reforçar a importância da defesa como elemento crucial para a manutenção da democracia, sobretudo em um momento em que temas como justiça e direitos humanos estão no centro de discussões.
Este episódio ocorre em meio a uma relação cada vez mais tensa entre o Planalto e os operadores do Direito. A Ordem já havia manifestado preocupação com discursos que poderiam levar à criminalização da defesa, o que, segundo a entidade, representa uma ameaça ao Estado de Direito. Por fim, a OAB defende a necessidade de um diálogo construtivo entre os Poderes e a classe jurídica para evitar mal-entendidos e fortalecer o sistema de Justiça.






