
Tainara Souza Santos, vítima de feminicídio rodoviário na Marginal Tietê (Foto: Instagram)
A Justiça de São Paulo marcou para o dia 25 de maio a primeira audiência do processo que investiga a morte de Tainara Souza Santos, de 31 anos, atropelada e arrastada por mais de um quilômetro na Marginal Tietê, na capital paulista. A vítima passou por cirurgias e faleceu em 24 de dezembro de 2025, após quase um mês internada.
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Tainara sofreu amputação de ambas as pernas em virtude dos ferimentos causados pelo atropelamento. Mãe de dois filhos, ela trabalhava como vendedora autônoma e, segundo parentes e amigos, era a principal provedora das crianças, cuidando sozinha das despesas da família.
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O réu Douglas Alves da Silva, de 26 anos, está detido desde o dia seguinte ao crime e responderá pelos crimes de feminicídio e tentativa de homicídio contra o homem que estava com Tainara. A audiência servirá para decidir se o caso seguirá para júri popular.
A defesa de Douglas afirmou ao jornal O Estado de São Paulo que a data é prematura, pois ainda não foram concluídos laudos técnicos fundamentais ao inquérito. Os advogados também alegam falta de provas para caracterizar o ato como feminicídio. Por outro lado, representantes da família da vítima insistem que ele teria agido movido por ciúmes, já que testemunhas relatam um relacionamento antigo entre o casal.
Segundo depoimento de um amigo que estava no veículo no momento do crime, Douglas teria puxado o freio de mão para aumentar o atrito enquanto Tainara era arrastada pela pista. O atropelamento ocorreu na manhã de 29 de novembro de 2025, na região da Vila Maria, Zona Norte de São Paulo, após uma discussão entre o motorista e o acompanhante da jovem.
Após deixar a cena, o acusado foi encontrado em um hotel na Vila Prudente, Zona Leste, em meio a uma tentativa de fuga para o Ceará. Durante a prisão, houve confronto com policiais e Douglas foi baleado no braço, mas permaneceu detido para responder às acusações.
O caso ganhou ampla repercussão nas redes sociais, reacendendo o debate sobre violência contra a mulher. Dados da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo apontam alta de 41% nos registros de feminicídio no estado no primeiro trimestre de 2026. Meses depois da morte de Tainara, a amiga Priscila Versão, de 22 anos, também foi vítima de feminicídio na Zona Norte, e o principal suspeito é o marido da jovem, que foi detido pela Polícia Militar.


