
Irmãos acusados de tentativa de feminicídio e mutilação no Ceará (Foto: Instagram)
Áudios obtidos pela Polícia Civil trouxeram à tona novas informações sobre a tentativa de feminicídio contra Ana Clara de Oliveira (21), em Quixeramobim, Ceará, no dia 1º de maio. Nos registros, os irmãos Ronivaldo Rocha e Evangelista Rocha são apontados como responsáveis pela mutilação das mãos da jovem, hoje sujeita a intensivo tratamento médico e fisioterapia.
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As conversas foram acessadas após ordem judicial para quebra de sigilo dos celulares dos suspeitos. Em um dos áudios, Ronivaldo afirma que o episódio “não precisaria ter chegado àquele ponto” e comenta: “Era só ter dado umas mãozadas nela pra ela respeitar as cara”. Para os investigadores, essas mensagens reforçam a visão dos irmãos de que a violência física serviria como forma de dominação.
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A Delegacia Municipal de Quixeramobim considera Ronivaldo o mentor do crime, ainda que Evangelista tenha desferido os golpes com a foice. Segundo o inquérito, Ronivaldo foi até sua casa, buscou o irmão e o levou até a residência de Ana Clara, onde lhe entregou a arma branca. Câmeras de segurança registraram o momento em que ele grita: “Pode matar ela, pode matar.” Logo depois, os irmãos trocam mensagens em que Ronivaldo pergunta “Tu matou?” e Evangelista responde “Já era.” A polícia entende que tais diálogos demonstram adesão direta de Ronivaldo à tentativa de homicídio.
As investigações apontam também que a discussão teve início após consumo de bebida alcoólica por Ronivaldo e Ana Clara e algumas supostas transferências bancárias realizadas da conta dele para a dela. Imagens mostram os dois discutindo em via pública, com Ronivaldo correndo atrás de Ana Clara e a ameaçando. Cerca de 20 minutos depois, ele retorna ao imóvel acompanhado de Evangelista, que invade a casa empunhando a foice.
No ataque, Ana Clara teve uma mão totalmente amputada e a outra parcialmente decepada. Ela foi socorrida e levada ao Instituto Doutor José Frota, em Fortaleza, onde passou por uma cirurgia de emergência de 12 horas para o reimplante. Desde então, já foram realizadas três intervenções cirúrgicas. De acordo com a família, ela permanece internada, enfrentando longo processo de recuperação e devendo se submeter a fisioterapia por cerca de um ano.
Os irmãos permaneceram presos após a prisão em flagrante e foram indiciados por tentativa de feminicídio com uso de meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. O caso segue sob investigação da Polícia Civil do Ceará, enquanto as autoridades avaliam a necessidade de novas diligências para aprofundar o inquérito.


