
Intervenção da Polícia Militar na reitoria da USP durante desocupação do campus Butantã (Foto: Instagram)
Na manhã desta segunda-feira (11), agentes da Polícia Militar entraram no prédio da reitoria da Universidade de São Paulo (USP), no campus do Butantã, Zona Oeste de São Paulo, para retirar grupos que ocupavam o local. A operação resultou em detenções e denúncias de violência policial por parte dos alunos, que afirmam ter sido surpreendidos sem qualquer aviso prévio. Segundo testemunhas, o clima no campus ficou tenso durante toda a intervenção.
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De acordo com relatos dos estudantes, a PM utilizou escudos, cassetetes, bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes. Vários alunos teriam sido empurrados e contidos de forma abrupta, sem que houvesse qualquer comunicação prévia por parte dos policiais. A reação dos jovens incluiu gritos e tentativas de resistir à retirada, o que intensificou ainda mais o conflito na área da reitoria.
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Nas redes sociais, circulam vídeos que registram os momentos de maior tensão: é possível ver policiais conduzindo estudantes pelos braços e algemando alguns deles no corredor interno do edifício. O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP informou que diversos jovens ficaram feridos com contusões e dificuldade para respirar em razão do gás lacrimogêneo. Quatro deles foram detidos e levados ao 7º Distrito Policial, na região da Lapa e Vila Romana.
Em nota oficial, a reitoria da USP lamentou profundamente os episódios de violência registrados durante a desocupação e afirmou que a universidade não foi previamente comunicada sobre a ação policial. “A USP repudia que a violência substitua o diálogo, a pluralidade de ideias e a convivência democrática como forma de avanço de pautas e solução de controvérsias”, declarou a instituição. A reitoria reforçou que continuará atuando de forma responsável para restaurar a calma no ambiente universitário.
A Polícia Militar, por sua vez, divulgou comunicado no qual nega a ocorrência de feridos durante a operação e afirma ter retirado cerca de 150 pessoas do prédio da reitoria. Segundo a corporação, todo o procedimento foi acompanhado por câmeras corporais e “eventuais denúncias de excesso serão rigorosamente apuradas”. A nota também lista danos ao patrimônio público — portas de vidro quebradas, mesas danificadas, catracas avariadas e o portão de acesso destruído — e a apreensão de entorpecentes, facas, canivetes, estiletes, bastões e porretes.
O DCE da USP reagiu em comunicado, acusando a Polícia Militar de formar um “corredor polonês para espancamento” durante a retirada e de agir sem qualquer determinação judicial, o que considerou ilegal. O órgão destacou que a ocupação na reitoria já durava mais de 60 horas sem que houvesse registros de violência ou ameaça grave antes da intervenção. Segundo a PM, os quatro estudantes detidos foram liberados após qualificação e o policiamento permanece no local para garantir a ordem pública.


