
Consumidor escolhe ovos de Páscoa em supermercado, onde preços registram alta histórica (Foto: Instagram)
Com a Páscoa se aproximando, as famílias brasileiras enfrentam uma alta de até 25% no preço dos ovos de chocolate nos últimos meses, segundo o IPCA-15. Essa elevação, a maior dos últimos anos, faz com que a tradicional celebração fique cada vez menos acessível, exigindo ajustes no planejamento do orçamento doméstico para não comprometer outras despesas essenciais.
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O disparo nos custos está diretamente associado à crise global do cacau, que resultou em oferta reduzida e aumentos contínuos na matéria-prima. Mesmo com uma leve queda nas cotações internacionais recentemente, esse alívio ainda não chegou ao varejo, uma vez que a produção dos ovos foi baseada em insumos adquiridos a preços mais elevados em períodos anteriores.
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Diante desse cenário, muitos consumidores reavaliam seus hábitos de compra para continuar comemorando sem estourar o orçamento. A aquisição de apenas dois ovos de tamanho médio já pode comprometer até 10% do valor de um salário-mínimo, levando famílias a optar por opções como ovos menores, barras de chocolate ou bombons.
Apesar do aperto no bolso do consumidor, o setor industrial mantém o otimismo para a temporada de Páscoa. A Abicab registrou crescimento na produção de chocolate, que passou de 806 mil toneladas em 2024 para 814 mil toneladas em 2025. No segmento específico de ovos de Páscoa, a fabricação subiu de 45 milhões de unidades em 2025 para 46 milhões em 2026, resultado de planejamento iniciado meses antes, ainda no segundo semestre.
No Brasil, o valor elevado no ponto de venda também reflete o ciclo da indústria, pois os produtos disponíveis foram fabricados com cacau adquirido quando o preço da commodity estava em patamares recordes. Além disso, custos adicionais, como embalagens de alumínio e plástico, brindes, logística e o aumento no valor dos combustíveis, contribuem para manter os preços altos.
No mercado internacional, a cotação do cacau recuou de um pico de 12,5 mil dólares por tonelada em dezembro de 2024 para cerca de 2,5 mil dólares por tonelada em março. As projeções para a safra 2025/2026 apontam um excedente de aproximadamente 200 mil toneladas, o que deve ampliar a oferta global. A escassez anterior decorreu de eventos climáticos adversos e problemas fitossanitários na África Ocidental, região responsável por cerca de 70% da produção mundial, elevando os custos ao longo de toda a cadeia produtiva.

