
Câmeras corporais registram tenente-coronel Geraldo Neto tentando interferir na cena do crime (Foto: Instagram)
As gravações das câmeras corporais dos policiais militares que atenderam o caso envolvendo a soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, expuseram a postura considerada agressiva e autoritária do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, apontado como principal suspeito da morte da esposa. As imagens registraram tentativas do oficial de interferir na cena do crime, contradições em seu depoimento e resistência a procedimentos que poderiam preservar provas. O caso ocorreu há pouco mais de um mês em SP e mobilizou equipes da Polícia Militar e da Polícia Civil.
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A equipe foi acionada após o oficial solicitar socorro no imóvel onde moravam. No local, ele responsabilizou os próprios policiais por supostas alterações na cena antes mesmo de registrar depoimento formal, segundo as imagens. Inicialmente, alegou que a esposa teria cometido suicídio — versão que manteve em audiência de custódia. Desde o incidente, ocorrido em SP, Geraldo Neto segue preso, acusado de feminicídio e fraude processual, mas nega as alegações.
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Nas conversas captadas, os policiais demonstraram desconfiança logo no local. Além de descumprir orientações da equipe, o oficial fez contato telefônico com o desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, amigo pessoal, para acompanhar o caso — atitude considerada fora do padrão pelos agentes. O episódio chamou atenção pela rapidez da ligação e pela insistência do tenente-coronel em obter apoio influente nas fases iniciais da apuração.
Em determinado momento, um cabo tentou impedir Geraldo Neto de tomar banho antes de seguir para a delegacia, lembrando que tal procedimento poderia comprometer provas, como eventuais resíduos de pólvora no corpo. A reação do oficial foi descrita pelos policiais como intimidadora. Questionado sobre a necessidade de preservar vestígios, ele alegou ter apenas iniciado o banho ao ouvir um barulho e, em seguida, interrompido a ação.
O relatório da Polícia Civil, obtido pela imprensa, classificou o comportamento do tenente-coronel como suspeito. Os investigadores ressaltaram o estranhamento dos agentes diante da cena e destacaram que as filmagens evidenciam tanto as atitudes do oficial quanto a reação dos policiais. Em um dos trechos, Geraldo Neto insiste em afirmar que não alterou o ambiente, mesmo diante de orientações de que toda a ocorrência estava sendo registrada para perícia.
Além da resistência ao procedimento de banho, os agentes observaram outras inconsistências, como a ausência de manchas de sangue no uniforme do oficial, algo que, segundo eles, seria comum em casos de socorro a uma vítima ferida. A ligação imediata ao desembargador também foi considerada atípica. Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan confirmou à Polícia Civil sua relação de amizade com o investigado, mas afirmou não ter tentado interferir nas investigações. As imagens seguem sob análise, cumprindo papel central na reconstituição dos fatos.

