
O governo da Ucrânia acusou a Rússia de explorar a estrutura do Brics — grupo do qual o Brasil é um dos fundadores — para recrutar mulheres com o objetivo de empregá-las na fabricação de drones utilizados no conflito em curso. A denúncia foi feita pelo Serviço de Inteligência Estrangeira da Ucrânia (SZR) na última quarta-feira (26/8).
Segundo o órgão ucraniano, o esquema estaria sendo viabilizado por meio do programa Alabuga Start, que oferece vagas de emprego na Rússia e mira especialmente jovens de países com baixa renda na África, Ásia e América Latina. De acordo com as investigações, o Brics estaria sendo usado como instrumento para atrair essas candidatas.

As mulheres recrutadas pelo Alabuga Start seriam atraídas com promessas de altos salários e oportunidades de crescimento profissional. No entanto, ao chegarem na Rússia, seriam redirecionadas para atuar na produção de drones na região do Tartaristão, um dos principais polos industriais do país.
A Ucrânia afirma que o Brics foi utilizado recentemente no processo de recrutamento durante um fórum realizado em maio, em Moscou, voltado ao empreendedorismo feminino. Na ocasião, a Aliança Empresarial de Mulheres do Brics (WBA), representando a África do Sul, firmou acordos de cooperação com empresas russas. Um desses acordos previa o envio de 5,6 mil mulheres sul-africanas para trabalhar no programa Alabuga Start — supostamente na linha de produção de drones. O pacto é público e está disponível no site oficial da WBA.
O programa Alabuga Start, embora não tenha uma ligação direta claramente estabelecida com o governo russo, é promovido como uma oportunidade para mulheres jovens viverem e trabalharem na Rússia. Ele oferece vagas nas áreas de transporte, logística, serviços, montagem e produção, com contratos de até dois anos. As participantes recebem aulas de russo, moradia, salário inicial de US$ 541 e passagens aéreas pagas.
Neste ano, o programa afirma ter contratado mulheres de 44 países, incluindo Brasil, Moçambique, Colômbia, Mali, Ruanda, Sudão do Sul e República Democrática do Congo. A reportagem do Metrópoles entrou em contato com o Alabuga Start para comentar as acusações, mas não obteve retorno até o momento.