
Mulher sobrevive a tentativa de feminicídio na Serra do Rola-Moça (Foto: Instagram)
Ana Cláudia Rodrigues, de 41 anos, recordou em entrevista ao programa Fantástico os momentos de terror que viveu antes de ser empurrada de um penhasco na Serra do Rola-Moça, em Belo Horizonte (MG). A auxiliar administrativa relatou ter sido agredida pelo ex-companheiro por cerca de duas horas antes da tentativa de feminicídio.
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Conforme o depoimento, Silvanildo Amâncio de Araújo, de 52 anos, convenceu-a a ir até o local com falsas promessas. Durante o trajeto, Ana Cláudia percebeu sinais de que poderia ser assassinada. “Você está me levando para me matar, né?”, perguntou ela. Ele respondeu sorrindo de forma cínica: “Não, Cláudia. Eu te amo”.
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Ainda segundo a vítima, o agressor buscava um ponto onde acreditava que a queda fosse fatal. “Ele ia próximo ao penhasco e dizia: ‘Aqui não, aqui não dá para você morrer’”, descreveu. Ele a puxava para outros trechos repetindo que ainda não era o lugar certo para ela perder a vida. Ela tentou reagir, mas não conseguiu impedir o ataque.
Nos instantes que antecederam a queda, a mulher disse que só conseguia pensar nos filhos. Mesmo diante do perigo, sentiu a presença de Deus e teve a certeza de que sobreviveria. De acordo com o Corpo de Bombeiros, ela despencou cerca de 50 metros, sendo 10 metros em trecho vertical e outros 40 metros em área inclinada.
Ana Cláudia permaneceu desaparecida por aproximadamente 24 horas até ser localizada por uma operação que envolveu policiais militares, bombeiros, equipes do Samu, drones, sensores térmicos e o helicóptero Arcanjo. Ao todo, cerca de 22 profissionais participaram das buscas que culminaram no resgate da vítima.
A mulher foi encontrada consciente, orientada e sem fraturas aparentes, apresentando apenas escoriações e ferimentos pelo corpo. Logo após o resgate, ela foi levada ao Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, onde recebeu atendimento e recebeu alta médica dois dias depois.
O suspeito, identificado pela Polícia Militar como Silvanildo Amâncio de Araújo, foi localizado em Várzea da Palma, no Norte de Minas, durante as diligências. Segundo a corporação, ele confessou ter sequestrado e empurrado a ex-companheira do penhasco. Na busca ao veículo utilizado por ele, os policiais encontraram um canivete, várias facas e quatro celulares, um deles envolto em papel-alumínio para dificultar o rastreio.
O caso segue sob investigação das autoridades mineiras, que apuram as circunstâncias do crime, as motivações do agressor e possíveis falhas na prevenção de violência doméstica.


