
Arte ilustra a divisão entre o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), agora classificados como Organizações Terroristas Estrangeiras pelos EUA. (Foto: Instagram)
Os Estados Unidos anunciaram em 28 de maio, por meio do Departamento de Estado, a inclusão do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs). A medida, que terá validade a partir de 5 de junho, coloca as duas maiores facções brasileiras no mesmo rol de cartéis e redes criminosas internacionais monitoradas por Washington.
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Antes de PCC e CV, outras organizações latino-americanas já figuravam em listas similares do governo americano. Entre elas, destacam-se o Tren de Aragua e o Cartel de los Soles, que passaram a ser consideradas ameaças globais nos últimos anos.
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O Tren de Aragua surgiu em 2012 dentro da prisão de Tocorón, na Venezuela, e ganhou fama como uma das organizações criminosas mais violentas da América do Sul. Autoridades dos EUA atribuem ao grupo atividades de tráfico de drogas, extorsão, sequestros e homicídios, além de controle territorial em diversas regiões do continente. Segundo o governo norte-americano, o uso de execuções e esquartejamentos é rotina para manter o domínio em áreas sob sua influência, inclusive na Colômbia, Peru, Chile e Equador.
Já o Cartel de los Soles é apontado pelas autoridades americanas como uma rede de narcotráfico que envolve altos oficiais militares venezuelanos. Embora não haja confirmação oficial sobre sua estrutura interna ou data de criação, o governo dos EUA sustenta que o cartel participa do envio de entorpecentes para o território americano em conluio com outras organizações criminosas da América Latina. Em resposta, Caracas rejeita as acusações, alegando que a designação tem motivações políticas.
Para o secretário de Estado, Marco Rubio, a inclusão de PCC e CV entre os FTOs se justifica pela ampliação internacional desses grupos, pelo envolvimento direto no tráfico de drogas e pelos episódios de violência que lhes são atribuídos. De acordo com o governo dos EUA, as facções estenderam sua influência não apenas em países vizinhos, mas também em solo americano, facilitando rotas de contrabando e estabelecendo redes de apoio a partir do exterior.
Com a nova classificação, as autoridades dos EUA passam a ter instrumentos legais mais robustos para impor sanções financeiras, bloquear ativos relacionados às facções criminosas e intensificar ações de cooperação internacional contra membros e colaboradores dessas organizações. A decisão reforça ainda o compromisso americano de combater o narcoterrorismo e o crime transnacional na região.
No Brasil, o anúncio suscitou reações no governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Em nota oficial, autoridades brasileiras expressaram preocupação com o enquadramento de PCC e CV como terroristas, argumentando que as facções agem principalmente por motivações financeiras, não ideológicas, e que a medida pode não se alinhar aos conceitos jurídicos nacionais sobre terrorismo.


