
Debate sobre PCC e CV: crime organizado ou terror? (Foto: Instagram)
A decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas reacendeu o debate sobre as diferenças entre facções criminosas brasileiras e grupos internacionais como a Al-Qaeda, liderada por Osama Bin Laden.
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Para a Polícia Federal, embora as facções do PCC e do CV cometam atos de extrema violência, seus objetivos não se alinham aos de organizações terroristas internacionais, uma vez que não há motivação político-ideológica ou religiosa por trás de suas ações.
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Segundo entendimento formal da corporação, PCC e CV são tratados no Brasil como organizações criminosas transnacionais envolvidas com tráfico de drogas, armas, lavagem de dinheiro, homicídios, corrupção e controle territorial. Em contrapartida, grupos como o liderado por Bin Laden atuam com base em propósitos políticos, ideológicos ou religiosos. “O objetivo primordial é a obtenção de vantagem financeira”, ressalta documento da Polícia Federal.
A PF reconhece que facções criminosas podem empregar táticas semelhantes às de grupos terroristas — ataques armados, explosivos e ações violentas —, mas enfatiza que a violência do PCC e do CV se destina sobretudo a proteger rotas do tráfico, ampliar o domínio territorial e assegurar lucros. Investigações apontam que organizações terroristas buscam atentados indiscriminados para instaurar medo e pressionar governos, ao passo que as facções brasileiras concentram ataques em rivais, testemunhas e agentes públicos.
Outro ponto destacado pela Polícia Federal é a atual Lei Antiterrorismo brasileira, que não prevê enquadrar o PCC e o CV como terroristas. Para alterar essa classificação, seria necessária uma modificação legislativa aprovada pelo Congresso Nacional, o que ainda não ocorreu.
Mesmo sem o rótulo de terroristas no Brasil, a PF considera PCC e CV como ameaças graves à segurança pública e institucional. As facções demonstram atuação internacional, expressivo poder financeiro, infiltração em órgãos públicos e crescente capacidade bélica, segundo o relatório da corporação.
Em nota oficial, o Departamento de Estado dos EUA informou que designa o CV e o PCC como Organizações Terroristas Globais Especialmente Designadas (SDGTs) e pretende classificá-los como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs) a partir de 5 de junho de 2026. A medida permite ampliar sanções financeiras, bloquear ativos e endurecer punições contra quem apoiar as facções, reforçando o compromisso americano de desmantelar cartéis e proteger a segurança nacional.


