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Expansão do Comando Vermelho em São Paulo desafia hegemonia histórica do PCC

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Grafite de PCC vs CV simboliza disputa por território (Foto: Instagram)

A crescente disputa entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) em cidades do interior e no litoral paulista tem gerado preocupação em autoridades e especialistas de segurança pública. Historicamente dominante no estado, o PCC agora precisa enfrentar a penetração de sua principal rival em áreas onde não havia competição significativa.
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Em um episódio emblemático ocorrido em dezembro do ano passado, em Ubatuba, litoral norte de São Paulo, um homem e um adolescente foram assassinados dentro de um carro na Estrada de Camburi. As investigações apontam ligação direta desse crime com o embate entre PCC e CV.
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Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil detalham que a presença do Comando Vermelho em território paulista concentra-se em municípios próximos à divisa com o Rio de Janeiro, como Ubatuba, Bananal, Cruzeiro e Caraguatatuba, além da região de Piracicaba. Nesses locais, o CV aproveita a proximidade geográfica e a fragilidade de fortalezas locais para expandir seus tentáculos.

Nos últimos anos, o PCC direcionou parte de seus esforços para operações de tráfico internacional de drogas e passou a investir recursos em setores formais da economia, como distribuição de combustíveis e serviços financeiros. Com isso, o varejo de entorpecentes em bairros periféricos deixou de ser prioridade para a facção.

“O tráfico interno dá mais trabalho e menos dinheiro. Já o tráfico internacional pode render cifras milionárias”, afirma o promotor Lincoln Gakiya, do Ministério Público de São Paulo, em declaração à BBC News Brasil. Esse reposicionamento abriu espaço para que criminosos locais e o Comando Vermelho disputem o controle das antigas áreas do PCC.

Em São Paulo, o CV não adota o mesmo modelo de domínio territorial armado observado no Rio de Janeiro. Aqui, a facção firma parcerias com grupos criminosos regionais. Na região de Piracicaba, por exemplo, a organização se uniu ao chamado “Bonde do Magrelo”, investigado por homicídios violentos e uso de armamento pesado. Operações recentes da Polícia Militar e do Ministério Público já resultaram em prisões em cidades como Rio Claro e Paulínia.

Outra mudança preocupante é o comportamento das novas gerações envolvidas com o crime. Segundo pesquisadores, muitos jovens não mantêm mais vínculo ideológico com o PCC, fundado na década de 1990 no sistema prisional paulista, e estão focados apenas no retorno financeiro. Regras históricas da facção, como a proibição de roubos em bairros periféricos e normas de conduta internas, acabam sendo ignoradas, evidenciando um enfraquecimento do controle mesmo dentro das prisões.

Apesar dos avanços do CV em determinadas regiões, especialistas garantem que o PCC ainda conserva sua hegemonia em São Paulo. No entanto, o crescimento dessas alianças criminosas acende um alerta sobre o risco de nova escalada de violência, lembrando episódios dos anos 1990 e 2000, quando o estado viveu recordes de homicídios em disputas entre facções.

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