
Gatos em superlotação e estado crítico em apartamento (Foto: Instagram)
Uma ONG de proteção animal revelou condições alarmantes em um apartamento de Concórdia, no Oeste de Santa Catarina, onde cerca de 400 gatos viviam superlotados e em ambiente insalubre. A denúncia sobre maus-tratos e falta de higiene mobilizou a Prefeitura local, o Ministério Público de Santa Catarina e outras entidades voltadas à causa animal.
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Segundo Ana Cristina Preis, fundadora da ONG Con Animal, o cenário interno era dantesco e cheio de sofrimento. “Para resumir: está um horror”, declarou ela ao descrever pilhas de caixas entulhadas e fezes espalhadas pelo chão, sem qualquer espaço limpo para os bichanos circularem.
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Muitos gatos apresentavam problemas de saúde severos, como verminoses, infestação por pulgas e piolhos, diarreia intensa e emagrecimento extremo. Filhotes e adultos exibiam feridas na boca, o que dificultava a alimentação; alguns acabaram morrendo antes de qualquer socorro, segundo relato da equipe de resgate.
A situação já era conhecida há anos por protetores independentes e órgãos ambientais. Em setembro de 2025, uma contagem oficial da Secretaria de Meio Ambiente apontou 424 felinos vivendo naquele mesmo endereço, mas nenhuma intervenção havia sido efetivada até agora.
Clínicas veterinárias chegaram a oferecer castrações gratuitas e apoio para adoções responsáveis, mas a tutora se recusou a aceitar qualquer auxílio. “Ela não aceita castrar, nem doar. Muitas clínicas ofereciam tudo de graça e ela não levava os animais”, explicou Ana Cristina.
Após acordos judiciais, parte dos gatos começou a receber atendimento veterinário emergencial em duas clínicas de Concórdia. A ONG busca arrecadar fundos para custear medicamentos, exames e ração adequada. “Precisamos de ajuda financeira porque os atendimentos já começaram e os veterinários precisam ser pagos”, ressaltou a voluntária.
Os defensores alertam que muitos dos gatos não são domesticados e exigirão tempo de adaptação antes de serem entregues a novos lares. “Tem gato assustado, tem gato arisco. Não são gatinhos mansinhos. É preciso responsabilidade na adoção, não dá para doar para qualquer um”, disse Ana Cristina, preocupada com processos impulsivos.
Apesar de reuniões com o Ministério Público, a retirada completa dos bichanos ainda enfrenta resistência. A tutora mantém comportamento considerado acumulador e continua negando acesso total ao imóvel. “Ela não colabora. E sem colaboração fica muito difícil tirar os gatos e iniciar as adoções”, concluiu a representante da ONG.


