
Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas em evento político em Campinas (Foto: Instagram)
Em evento em Campinas, no interior paulista, o senador Flávio Bolsonaro (PL) declarou nesta sexta-feira (15) que há uma movimentação de adversários para criar “um muro” entre ele e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP). Segundo Flávio, a estratégia teria como pano de fundo as revelações sobre o financiamento do filme “Dark Horse” pelo banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
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O pré-candidato do PL à Presidência ressaltou a proximidade com Tarcísio de Freitas e afirmou conhecer a pressão sofrida pelo governador. “Tarcísio, eu sei a pressão que você sofre. A tentativa a todo momento de colocar um muro entre nós e tentar nos separar. É porque eles sabem que, com a gente junto, ninguém segura São Paulo”, afirmou o senador, ao completar que considera o aliado “extraordinário”.
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Nos bastidores, aliados de Tarcísio relatam incômodo com os desdobramentos do caso Vorcaro e o possível impacto na campanha de reeleição do governador no maior colégio eleitoral do país. Apesar disso, em pronunciamentos públicos o próprio Tarcísio defende que Flávio já esclareceu o teor das conversas sobre o aporte financeiro ao longa.
O cerne da crise está na investigação de um investimento de cerca de R$ 61 milhões destinado ao filme “Dark Horse”, cinebiografia internacional de Jair Bolsonaro. Reportagem do Intercept Brasil revelou que os valores foram solicitados por Flávio ao banqueiro Daniel Vorcaro, em mensagens trocadas em novembro de 2025, pouco antes da prisão de Vorcaro na Operação Compliance Zero e da liquidação do Banco Master.
Inicialmente, o senador negou vínculo com o banqueiro, mas mudou de posição após a divulgação de documentos. Em entrevista à GloboNews, Flávio admitiu ter buscado investidores privados. “Eu menti. Eu podia descumprir uma cláusula contratual? Isso gera multa, isso gera exposição dos investidores”, declarou.
Paralelamente, a Polícia Federal apura se parte dos recursos teria sido usada para custear a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e ações políticas relacionadas ao governo de Donald Trump. Documentos indicam que Eduardo chegou a assinar contrato como produtor-executivo ao lado do ex-deputado Mário Frias, que porém nega ter recebido qualquer valor da produção ou da Entre Investimentos, empresa responsável pelos repasses.
Integrantes do governo Lula avaliam explorar essas revelações na disputa paulista e contrapô-las às parcerias firmadas entre o Palácio do Planalto e o governo de São Paulo, como o projeto do túnel Santos-Guarujá, estratégia que pode favorecer uma eventual candidatura de Fernando Haddad ao Palácio dos Bandeirantes.


