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Homem recebe indenização de R$ 120 milhões após 22 anos preso injustamente

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Jeffrey Clark e equipe celebram indenização histórica por prisão injusta (Foto: Instagram)

Na quarta-feira (06), um tribunal dos Estados Unidos determinou que Jeffrey Clark receba US$ 24,35 milhões (aproximadamente R$ 120,44 milhões) como indenização após ter permanecido 22 anos e meio detido de forma equivocada. Clark havia movido uma ação civil contra autoridades responsáveis pela investigação e pelo julgamento de seu caso, cujo resultado levou ao reconhecimento de falhas graves e provas forjadas que mantiveram-no atrás das grades injustamente.

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Jeffrey foi condenado em 1995 pelo assassinato de Rhonda Sue Warford, de 19 anos, que namorava seu então amigo Keith Hardin. A jovem desapareceu na madrugada de 2 de abril de 1992 em Louisville, Kentucky, e seu corpo foi encontrado dias depois em um campo, com múltiplos ferimentos causados por faca. A defesa sempre sustentou que Clark não via Rhonda desde 1991 e que sua prisão se baseou em indícios frágeis.

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O caso ganhou o rótulo de “assassinato satânico” pela imprensa norte-americana, nos anos 1990, após a mãe da vítima declarar que a filha se relacionava com pessoas ligadas ao satanismo. A polícia prendeu Clark ao encontrar sua impressão digital no carro de Rhonda. Entretanto, outros indícios usados na acusação mostraram-se inconsistentes posteriormente.

Entre as provas questionadas estava um pano com manchas de sangue e fragmentos de vidro recolhidos na residência de Keith Hardin, tidos como supostos materiais para rituais. No julgamento, uma ex-namorada de Clark alegou que ele participava de cultos satânicos e ostentava uma tatuagem de cruz invertida, depoimento depois refutado. Um presidiário também afirmou que Clark teria confessado o crime em conversa interna, mas essa afirmação carecia de comprovação.

O ponto mais decisivo para anular a sentença foi a suposta correspondência de um fio de cabelo encontrado no corpo da vítima com o de Hardin. Testes de DNA realizados anos depois provaram que o material não pertencia a nenhum dos acusados. Em 2016, as condenações de Clark e Hardin foram completamente anuladas, após evidências de manipulação de laudo pericial pelo legista Bill Adams, que teria alterado a data da morte de Rhonda para fragilizar o álibi de Jeffrey.

Especialistas concluem que Rhonda Sue Warford provavelmente faleceu entre 4 e 5 de abril de 1992, e não no dia 2, como sustentava a acusação. O advogado Elliot Slosar ressaltou o impacto na vida de seu cliente: “Jeffrey perdeu grande parte de sua existência atrás das grades e só pôde retomar a liberdade já na casa dos 40 anos.” O valor da indenização busca compensar tanto a injustiça sofrida quanto os anos irrecuperáveis que ele deixou passar.

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