
Lee Milne, 40, chega ao Tribunal Superior de Glasgow (à esquerda) e Kimberley Milne, 28, vítima de violência doméstica (à direita). (Foto: Instagram)
Imagens divulgadas pelas autoridades escocesas revelam os momentos finais de Kimberley Milne, de 28 anos, enquanto ela tentava fugir de um ciclo prolongado de violência doméstica na cidade de Dundee. Na noite de 27 de julho de 2023, perseguida pelo então marido, Lee Milne, ela escalou um viaduto sobre a rodovia A90 e acabou despencando. Ferida, foi atingida por um caminhão que trafegava no sentido leste e não resistiu aos ferimentos.
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Os vídeos usados no tribunal pelo Crown Office e pelo Procurador Fiscal Central mostram Lee, de 40 anos, dirigindo de forma agressiva ao entrar em um estacionamento na Old Glamis Road por volta das 21h15, quando Kimberley tenta sair do carro e é encurralada pelo veículo. Em seguida, por volta das 22h, as câmeras de segurança registram o casal deixando um supermercado no Kingsway Retail Park, momento em que a jovem surge visivelmente abalada, alvo de insultos e empurrões. Lee foi considerado responsável direto pela tragédia e condenado, nesta semana, a oito anos de prisão.
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A pressão psicológica sofrida pela vítima também ficou evidente em conversas por mensagem com a irmã. Kimberley relatava insegurança diante das ameaças do companheiro, que afirmava que atentaria contra a própria vida caso fosse deixado. Em um diálogo, ela indaga: “Como posso deixá-lo se ele diz que vai se matar sem mim?” e recebe a resposta: “Eu simplesmente o deixaria. Ele não se importa se é isso que está fazendo, para ser honesta, Kim.”
Na madrugada de 27 de julho de 2023, segundo a acusação, Lee passou a dirigir de maneira perigosa e imprevisível, causando pânico em Kimberley. Em determinado momento, ela conseguiu escapar do veículo, mas foi perseguida pela margem da rodovia. Já encurralada, escalou a estrutura metálica do viaduto sobre a A90, de onde caiu no asfalto. O impacto com um caminhão agravou os ferimentos, levando à sua morte quase imediatamente. O julgamento ocorreu em março de 2026, com o réu sendo considerado culpado pelo papel direto na morte da mulher.
Os familiares da vítima expressaram alívio após o veredicto. A mãe, Lynne Bruce, afirmou que se sente satisfeita por, finalmente, a versão de Kimberley ter sido reconhecida. Para ela, a sentença reforça que a verdade prevaleceu. A irmã, Lynsey Anderson, ressaltou que Lee era uma pessoa perigosa e comemorou que, com a decisão, ele não terá oportunidade de machucar outras mulheres.
Durante a fase de definição da pena no Tribunal Superior de Glasgow, a testemunha Daisy White, de 25 anos, descreveu ter visto Lee pressionando Kimberley contra uma parede fora de um comércio no Kingsway Retail Park. No decorrer do processo, depoimentos detalharam episódios anteriores em que Kimberley sofrera agressões que a deixaram desacordada, crises de ciúmes e violência física na cozinha de casa. A juíza destacou que esse conjunto de abusos levou a vítima ao desespero extremo e estabeleceu pena de 11 anos — oito em regime fechado e três sob supervisão após a liberação. Segundo o inspetor-chefe detetive Craig Kelly, o caso representa um marco jurídico na Escócia, ao responsabilizar diretamente um agressor pela morte de sua companheira em contexto de violência doméstica.

