
Astronauta Don Pettit com sua “Spudnik-1” na Estação Espacial Internacional (Foto: Instagram)
O astronauta Don Pettit, o mais velho em atividade na Nasa, compartilhou uma fotografia incomum que logo se espalhou pelas redes sociais. Na imagem, um objeto roxo e oval flutua no interior da Estação Espacial Internacional, exibindo ramificações que lembram tentáculos. Muitos internautas chegaram a comparar o item a um “ovo alienígena” ao notar seu formato curioso e cor vibrante. A publicação gerou especulações e despertou a atenção de fãs de ficção científica em todo o mundo.
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A foto viralizou rapidamente, motivando comentários bem-humorados e teorias fantasiosas. “Matem isso com fogo”, sugeriu um usuário, enquanto outro duvidou da autenticidade do registro fotográfico. Alguns internautas chegaram a editar montagens para “explicar” a origem extraterrestre do objeto, mas a maioria ainda se perguntava o que realmente poderia ser aquela estrutura flutuante. O mistério alimentou debates em fóruns especializados até o astronauta revelar mais detalhes.
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Na verdade, o “ovo alienígena” nada mais é do que uma batata cultivada em ambiente de microgravidade. Pettit levou vários tubérculos a bordo durante a missão Expedition 72 para realizar um experimento de jardinagem em seu tempo livre. A batata foi presa com velcro dentro de um pequeno terrário improvisado, equipado com luz artificial para estimular o desenvolvimento. O astronauta batizou o projeto de “Spudnik-1”, em homenagem ao primeiro satélite artificial, o Sputnik 1.
Segundo Pettit, a escolha pela batata foi estratégica: ela se destaca pela alta eficiência nutricional em relação à massa total cultivada, característica fundamental para suprimentos em viagens espaciais de longa duração. A popularização da ideia também se deve ao sucesso do livro e do filme “Perdido em Marte”, em que o personagem principal sobrevive no planeta vermelho justamente plantando batatas. Experimentos desse tipo podem oferecer subsídios para missões rumo à Lua e a Marte.
No ambiente de microgravidade da Estação Espacial Internacional, o crescimento das raízes não segue um padrão definido, pois não há gravidade para orientar seu desenvolvimento. Por isso, as ramificações surgem em várias direções, conferindo ao tubérculo uma aparência incomum e dificultando o controle do crescimento. Além disso, o ritmo de desenvolvimento costuma ser mais lento em comparação ao cultivo terrestre, uma vez que fatores como distribuição de nutrientes e água se comportam de maneira diferente sem peso.
O cultivo de órgãos alimentícios fora da Terra é considerado um dos principais desafios para garantir autonomia em missões tripuladas de longa duração. Na ISS, além das batatas, astronautas já cultivaram diversos vegetais e até flores, incluindo alface, repolho chinês, mostarda mizuna, couve russa vermelha e zínias. Mesmo com essa tradição de experiências botânicas, a imagem do experimento “Spudnik-1” surpreendeu o público, que só descobriu o verdadeiro propósito da batata depois de muita especulação.

