
Durante observações do céu, cientistas japoneses notaram um comportamento peculiar das pardelas-listradas (Ardenna grisea): essas aves marinhas defecam com frequência enquanto voam sobre o oceano. A eliminação das fezes ocorre várias vezes por hora e se destaca pela regularidade, sem afetar o equilíbrio ou a estabilidade do voo.
Essas aves percorrem grandes distâncias migratórias, sendo encontradas em diversos oceanos, inclusive no Atlântico Sul. Seu estilo de vida nômade está relacionado diretamente à forma como se alimentam e se reproduzem. O guano — como são chamadas as fezes das aves marinhas, ricas em nitrogênio e fósforo — é liberado diretamente no mar, funcionando como uma fonte adicional de nutrientes que pode impactar desde o oceano aberto até ecossistemas recifais.
O elevado metabolismo das pardelas-listradas acelera a produção de ácido úrico, resultado da digestão de proteínas e principal via de excreção de nitrogênio nessas aves. Para evitar sobrecarga renal e intoxicação, o organismo precisa eliminar esse resíduo com frequência. Além disso, cada grama de fezes acumulada representa peso extra, o que aumentaria o esforço energético durante as longas viagens migratórias.

As aves possuem adaptações anatômicas que tornam o processo de defecação rápido e eficiente, sem comprometer o voo. Quando estão na água, quase não defecam, o que ajuda a manter as penas limpas e impermeáveis, além de evitar odores que possam atrair predadores.
O guano também tem papel ecológico importante. Em locais com alta densidade de aves, os nutrientes contidos nas fezes favorecem o crescimento de fitoplâncton, base da cadeia alimentar marinha. Em mar aberto, esse efeito é localizado, mas ainda relevante. Já em recifes, o excesso de nutrientes pode desbalancear o ecossistema, favorecendo algas em detrimento dos corais.