
O governo dos Estados Unidos apresentou nesta quinta-feira (28/07) uma nova proposta para restringir o tempo de permanência de estudantes internacionais e profissionais da imprensa no país. A iniciativa visa reforçar o controle sobre a imigração irregular, estabelecendo prazos fixos para os vistos F (estudantes), J (intercambistas culturais) e I (jornalistas).
Com a proposta, estudantes estrangeiros só poderão permanecer nos EUA por até quatro anos. Já os jornalistas teriam uma estadia inicial de 240 dias, com possibilidade de prorrogação por mais 240 dias. Para jornalistas chineses, o limite seria de apenas 90 dias.
Atualmente, os vistos são concedidos com base na duração dos programas educacionais ou das missões jornalísticas, embora nenhum ultrapasse 10 anos. Em 2023, cerca de 1,6 milhão de estudantes estavam nos EUA com visto F. No atual ano fiscal, iniciado em 1º de outubro de 2023, foram emitidos aproximadamente 355 mil vistos J e 13 mil vistos I.
As novas regras foram publicadas no Federal Register, o equivalente ao Diário Oficial americano, e agora passam por um breve período de consulta pública. O Departamento de Segurança Interna justificou a medida alegando que muitos estrangeiros estariam prolongando seus estudos indefinidamente para permanecer no país como “estudantes eternos”, o que, segundo o órgão, representa riscos à segurança e custos aos cofres públicos.
Entretanto, não foram apresentados dados que comprovem prejuízos causados por esses estudantes. Pelo contrário, segundo o Departamento de Comércio, os estudantes internacionais contribuíram com mais de US$ 50 bilhões (cerca de R$ 270 bilhões) para a economia dos EUA em 2023.
A proposta gerou críticas de instituições acadêmicas. Miriam Feldblum, presidente da Aliança de Presidentes para o Ensino Superior e Imigração, afirmou que a medida transmite uma mensagem negativa a talentos estrangeiros e prejudica a capacidade das universidades americanas de atrair pesquisadores e estudantes qualificados, afetando a competitividade global do país.
O anúncio ocorre no início do ano letivo, em meio a um cenário de queda nas matrículas de estrangeiros, reflexo de políticas anteriores do governo Trump. Apesar disso, o presidente surpreendeu ao sugerir dobrar o número de estudantes chineses nos EUA, contrariando promessas anteriores de seu governo e gerando críticas até mesmo entre seus aliados.